Quarta-feira, 14.03.18

Eu fui aquela alegre rapariga,

Que sonhava as estrelas e o luar.

Brotava-me da boca uma cantiga,

Mesmo que fosse para não chorar

 

Essa alegria fora loira espiga,

Na luz que se deixava revelar,

Sem sombra de quimera, eu que o diga,

Relíquia, que jamis soube guardar.

 

Hoje sou triste, já nem sei sorrir,

Criança não serei pra me iludir,

Que ramos murchos dêem nova flor.

 

Sou tronco já despido de folhagem

E, se recordo, amor, a tua imagem,

Acordo a noite a soluçar de dor.

 

(Menção Honrosa nos 1ºs Jogos Florais do Lavradio, 1988)

 

mariajose_junho_1947.jpg

Maria José Alves Pereira da Silva (lado esquerdo) no Parque José Guilherme em Paredes, em junho de 1946, com a sua irmã Maria Isabel ao lado.

 

 

 


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publicado por Rafael às 15:41 | link do post | comentar

Domingo, 15.07.12

 

Podem morrer as rosas

Pelos canteiros,

No céu deixarem

De cintilar estrelas,

Secarem fontes

As searas e o mar;

Não haver horizontes;

Podem morrer as aves,

Findar a aurora,

A guerra

Nunca mais acabar...

E só desolação

Pelo mundo fora...

E não haver mais luz

No teu olhar...

E pode o sol

Deixar de ter calor,

Ser negra a noite,

Não mais haver luar,

Que jamais deixarei

De amar-te, meu amor...

 

Maria José Alves Pereira da Silva  - "Labaredas em Prece" - 1964 pág 41


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publicado por Rafael às 15:38 | link do post | comentar

Quinta-feira, 12.07.12

Sinto dentro do peito a despontar

O primeiro sintoma da paixão...

- O causador foi esse teu olhar

Que despertou assim o meu coração!

 

Ligada a ti fiquei, sem hesitar,

Lendo no teu olhar dedicação...

Quem poderia, enfim, por ti passar,

Sem reparar na tua sedução?!

 

Mãezinha! Tu não poderás zangar-te...

Eu sinto-me feliz, sabendo amar-te,

Embora ame, na vida, mais alguém!

 

És bondosa! -perdoas certamente...

Se quem é bom perdoa a toda a gente,

Perdoa, sempre, um coração de mãe!

 

Maria José Alves Pereira da Silva  - "Ilha dos Amores" - pág. 16 - 1961



publicado por Rafael às 20:55 | link do post | comentar

Sábado, 06.06.09

 

Não digas nada,
Não, meu amor.
Tudo o que poderás dizer,
Eu já sei de cor.
O que eu desejo ouvir,
Sei que não o dirás.
É melhor o silêncio…
Não digas nada,
Que à força
De tanto desejar,
É como
Se o estivesse a escutar.

 

Paredes, 1963


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publicado por Rafael às 12:27 | link do post | comentar


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